Só quando desço a Peabiru e subo a Edmundo Mercer
- TG Treinamentos
- 7 de fev. de 2018
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"Alguma coisa acontece no meu coração que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João..."
Silvana, 17 anos, bonita, olhar sonhador, muita simpatia e pouco interesse pelos estudos. Cursava a segunda série do Ensino Médio no período vespertino, morava no sítio.
Uma aluna comum, não fosse algo que se tornou marca na sua vida escolar: o ônibus a deixava na cidade ao meio dia e meia, mas ela só chegava à escola por volta de 1h50min.
Como eu tinha a primeira aula nessa série, um dia por semana, demorei um tempo para perceber o fato.
Ao questioná-la sobre o porquê de faltar sempre naquela determinada 1ª aula, ela me disse:
- Professora, você sabe onde eu moro? Moro no Bairro X. Sabe professora, quando o ônibus me deixa, eu ainda ando três quilômetros até chegar a minha casa. Não temos nenhum vizinho. A casa mais próxima fica a um quilômetro. Moramos eu, meus pais, meu irmão e minha cunhada. A senhora já morou no sítio?
- Sim – respondi.
- Então, passo a semana toda sem ver nada diferente, sem ver ninguém diferente. Quando o ônibus me deixa perto da câmara, a vontade que tenho sabe qual é? Descer a rua Peabiru olhando as vitrines de loja em loja. Não quero comprar nada, professora, só quero olhar. Quero ver coisa nova, quero ver gente! Desço a Peabiru e subo a rua da Prefeitura e venho para a escola. Venho feliz professora! Venho renovada!
- A senhora já morou no sítio? - Já, menos temerosa, me perguntou novamente:
- A senhora já morou no sítio?
-???
Edeliar Torres Saraiva
Professora de Língua Portuguesa
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